07/08/2008

catálogo do 14º salão da Bahia ( 2007 )


foto retirada do catálogo do 14º Salão da Bahia
o catálogo chegou aqui em casa ontem

eis a entrevista que a Teté Martinho fez comigo lá em Salvador...

Você começou a criar histórias em quadrinhos muito cedo, e conta que parou de desenhá-las ao se aproximar do universo das artes visuais. Como você compara esses dois mundos?
As histórias em quadrinhos são meu exercício de liberdade; ali vou para tudo quanto é lado. Gosto muito de Moebius porque ele não faz um roteiro e depois desenha as histórias. Ele faz um quadrinho e aquele quadrinho vai definir o próximo e assim por diante, até contar a história inteira. Eu faço histórias desse jeito. É uma grande aventura. No primeiro desenho sai um sujeito segurando uma lata, aí no segundo você vai descobrir o que era aquela lata, e assim você permite que a história se conte ela mesma. O trabalho de artes plásticas é como se fosse uma página de uma história em quadrinhos. É você dar uma importância para aquela página, trabalhar aquele ponto, colocá-lo em evidência, jogar luz em cima, pôr no tridimensional. E aí você começa a usar os objetos do cotidiano, os elementos; para mim, a questão plástica é a matéria que nos cerca.
Como os quadrinhos e o trabalho conceitual se reecontram na sua produção recente?
Comecei a achar legal a história em quadrinhos não ser tão direta, tão narrativa, tão começo, meio e fim. E as artes plásticas não precisavam ser só conceito, mas algo com diversas camadas de leitura, que também pode criar uma narrativa, em relação com a história da arte. Colocar a narrativa das histórias em quadrinhos nas artes plásticas e colocar nos quadrinhos a possibilidade de uma leitura mais aberta. Dá gosto criar para um público mais amplo um trabalho mais conceitual, também. É um intercâmbio e no meio desse intercâmbio nasce o trabalho.
Em seu 3-D Delivery (2006), uma sequência de vídeos simula uma sequência de quadrinhos. Em Matiz Vertical, de novo é como se esses dois mundos se olhassem, não apenas no aspecto sequencial, na trilha que comenta a narrativa e na coexistência da ação e do exercício formal, mas também na figura de um protagonista meio herói, meio cômico. Qual é o seu papel nos seus trabalhos?
Isso vem do tipo de quadrinhos que eu gosto, e que é muito autobiográfico. No trabalho, estou lá sentado tendo sensações e estou trabalhando com estas sensações. Tem gente que já leu o trabalho como uma crítica direta ao concretismo, mas o concretismo é um fetiche meu, porque acho gostoso aquele equilibrio. Eu entro dentro de um trabalho concretista para explorá-lo, lanço um olhar de aventureiro sobre um trabalho conceitual. É assim que me sinto vendo as artes plásticas também. Estudo as artes plásticas como um aventureiro; me permito tomar sustos, ficar empolgado. Tento manter a mente limpa. Eu chego explorador, apalpando.

Quais são as grandes questões que aproximam suas pinturas, desenhos, instalações e performances?

Meu trabalho plástico, de uma forma geral, tem uma coisa sequencial: eu crio uma questão, faço um trabalho, ele tem várias outras questões, vem o segundo para dialogar com este primeiro, e acho que assim inevitavelmente.
Estes trabalhos verdes e vermelhos vêm de uma pesquisa que foi dar na cor complementar. Comecei com corpo parado, morto, só o corpo, oco, só a caixa, ângulos retos, muito frio. Aí isso me incomodou profundamente e pensei “O que é alma desse corpo?” Cheguei na cor como resposta. E por que a cor? Porque a cor é o movimento, ela vibra. E daí? O que ela precisa então? Precisa de seu complementar. Uma alma precisa de outra alma. Então cheguei na cor complementar de Painel de Comando (2007) e em Matiz Vertical. Uma coisa que me inquieta nos trabalhos, também, é a velha questão da mobilidade. Fazer um trabalho bidimensional, matéria, que não fique aquela coisa inerte, parada. Tem a busca do movimento sempre. Fiz uma série de tênis All Star verdes e vermelhos que andavam, ligados a carrinhos bate-bate. Era uma performance: eu chegava descalço, com várias caixas de sapato, ligava eles e, ao invés de pôr no pé, colocava no chão. Eles iam embora, e depois ficava cheio de tênis andando pela exposição.

4 comentários:

fluxus disse...

bravo! saudações...

erick.bastos disse...

Eu sabia que você iria se tornar um grande artista plástico. Visão clara e orgânica das obras e foco no objetivo! Você percorreu um grande caminho. Abraços!

Marcelinho disse...

E ae Tiago! Legal teu blog, cara. Eu adicionei ele na lista dos blogs que costumo visitar.. tá lá no meu blog! hehehe.. Então, deixa eu te contar um segredinho: sabe a moça que tu e Tarcila deram carona dia desses pro SJB? Pois é.. era a protagonista de minhas histórias manauaras.. hahahahahaha...
Tu tem msn?
Abs,
Marcelo (paulistana, carioca, argentino, italiano.. e.. manauara.. hahahaa)

Fábio Tremonte disse...

oi, tiago! td bem? gostei da entrevista, percebi que nossos trabalhos têm muitas coisas em comum...precisamos trocar umas figurinhas...abraços
fábio tremonte